MANAUS, AM – A reunião de Manaus foi aberta na noite desse domingo, às 19h, em solenidade no Teatro Amazonas. Vai até o dia 17 de julho, no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus (AM), com o tema "Amazônia: Ciência e Cultura". Os sistemas de monitoramento da floresta por satélite e os benefícios do programa espacial brasileiro para a Amazônia são alguns dos temas que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) leva ao encontro. O Inpe estará no estande espacial, de 104 metros quadrados, junto com a Agência Espacial Brasileira e a Alcântara Cyclone Space. No estande haverá uma maquete do CBERS, satélite de sensoriamento remoto desenvolvido e produzido em parceria pelo Brasil e China.
Haverá 175 atividades, entre conferências, simpósios, mesas-redondas, grupos de trabalho, encontros, sessões especiais e cinco sessões de pôsteres, nas quais estão previstas a apresentação de mais de dois mil trabalhos científicos, e 49 minicursos.
Jovem cientista
Com o tema Energia e Meio Ambiente – Soluções Para o Futuro, uma das principais premiações científicas da América Latina, o Prêmio Jovem Cientista será lançado em Manaus, nesta segunda-feira, 14. No mesmo dia, das 14h às 16h, as primeiras colocadas da última edição do prêmio os seus trabalhos no auditório da Matemática do instituto de Ciências Exatas da Ufam.
O concurso distribui a graduados, estudantes do ensino superior e médio R$ 145,5 mil em prêmios. O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Amazonas (Fapeam), Odenildo Sena, informou que a instituição irá expor projetos.
Um barco regional de dois andares, com cerca de 42 metros quadrados, será instalado na entrada da ExpoT&C, com uma mostra da produção científica amazonense. "Temos um programa inédito no Brasil, chamando Ciência na Escola PCE em parceira com a Seduc e Semed que financia pesquisa experimentais envolvendo alunos do ensino fundamental e médio com o propósito de despertar muito mais cedo a vocação cientifica dos estudantes", ele disse.
O plenário de Manaus está cheio de novidades: depois do guaraná, fruto símbolo da floresta amazônica, cientistas da região estudaram uma bactéria presente numa diversidade de ecossistemas em regiões tropicais e subtropicais, entre eles, a Amazônia brasileira, onde é encontrada em abundância, entre outros ambientes, nas águas e bancos de areia do Rio Negro.
Também começaram a estudar, recentemente, o genoma - conjunto de genes - e a proteômica – grupo de proteínas – de peixes típicos do Estado do Amazonas. As avaliações desses projetos iniciais e as perspectivas de pesquisas locais nesta área serão apresentadas na conferência "Genômica na Amazônia", no dia 17 de julho, às 10h30.
Um dos dos notáveis no encontro é o pesquisador britânico Randal Hume Keynes, que pertence a uma linhagem familiar e científica de peso. Como seu segundo sobrenome indica, ele é descendente direto de Jonh Maynard Keynes, um dos maiores economistas da história. E, para completar sua nobre herança genética, é tataraneto do naturalista inglês Charles Robert Darwin, que revolucionou a ciência com a teoria da evolução das espécies.
Rede de pesquisas avança
Em 2002, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade Federal do Pará (UFPA) e outros nove centros de pesquisa da região norte do País formaram a Rede Amazônia Legal de Pesquisas Genômicas (Realgene), cujo primeiro projeto, concluído após quatro anos, foi o seqüenciamento do genoma do guaraná. Os resultados foram divulgados no início do ano passado em uma revista científica internacional de alto impacto na área.
Paralelamente a esse trabalho, diversos grupos de pesquisa em genômica na região amazônica participaram do projeto "Genoma Brasileiro", criado pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) em 2000 e que inicialmente seqüenciou todo o conjunto de genes do microrganismo Chromobacterium violaceum.
De grande interesse biotecnólogico, o pigmento produzido por essa bactéria - a violaceína, que lhe confere o nome e a cor violácea característica – demonstra diversas atividades antimicrobianas e fungicidas. Além disso, também tem potencial para a produção de polímeros plásticos biodegradáveis, que podem ter aplicações nas áreas médica e industrial, entre outras.
Um dos mais novos projetos finalizados pelos pesquisadores da região amazonense foi a análise da genômica e a proteômica das espécies de peixes tambaqui, pirarucu, tucunaré e matrinxã. Integrante do Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, o estudo, iniciado em 2007 possibilitou desvendar vias metabólicas – séries de reações químicas que ocorrem em cadeia nas células – para induzir hormônios próprios do pirarucu responsáveis por sua reprodução, e também reconhecer os mecanismos de resistência dessas espécies de peixes. O que pode facilitar a criação e a reprodução deles em cativeiro.
"Essa atividade – a piscicultura – é muito recente na Amazônia. Mesmo contando com algum suporte tecnológico, ainda é muito incipiente e baseada no método de tentativa e erro", explica um dos pesquisadores participantes do estudo, o professor adjunto do Centro Universitário Nilton Lins (Uniniltonlins), Sérgio Ricardo Nozawa.
Segundo Nozawa, outros resultados da pesquisa foram o isolamento e caracterização de peptídeos microbianos, de interesse da indústria farmacêutica, nesses peixes, e a descoberta de que o tambaqui apresenta genes inativos para ômega 3 e 6. "Pretendemos agora desenvolver uma projeto para melhorar a quantidade destes ácidos graxos nestes peixes", adianta.
O pesquisador estima que a Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Bionorte), criada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia no final do ano passado, deve impulsionar as pesquisas em genômica não só de peixes, mas também de outros organismos presentes no bioma amazonense – plantas e microrganismos por exemplo. "Com o auxílio de ferramentas da bioinformática e o início dos projetos dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, o avanço em genômica e proteômica aqui na região será enorme", prevê.
Fonte: AGÊNCIA AMAZÔNIA